No
entanto, as únicas espécies cujos povoamentos são protegidos são o
sobreiro e a azinheira, pela sua mais valia económica, social e também
ambiental, ao manterem a estabilidade dos ecossistemas com as suas
funções ecológicas vitais, desde a produção de oxigénio, sequestro de
carbono, regulação do ciclo hidrológico, conservação do solo e suporte
para a biodiversidade.
Montados de sobro e azinho convertidos para olival intensivo
Nos
últimos anos tem vindo a aumentar a pressão sobre os montados de sobro
e azinho no Baixo Alentejo, sobretudo devido à compra de inúmeras
herdades por empresários espanhóis que pretendem instalar olival
intensivo e super intensivo de regadio, situação que está a alterar
completamente a paisagem da planície alentejana.
O problema é
que estes não compram apenas propriedades essencialmente agrícolas, mas
também áreas com montado de azinho e sobro, integrados em povoamentos
protegidos para os quais solicitam o abate para plantação de olival
intensivo. Tal situação é inadmissível, uma vez que existem
alternativas de localização que não são consideradas e, pior ainda,
quando se sabe que ocorrem abates ilegais ocasionais.
O
precedente surgiu no caso do Monte Espada, entre Santiago do Cacém e
Aljustrel, quando um empresário espanhol abateu mais de 600 azinheiras
e 50 sobreiros, num único fim-de-semana, tendo parte deste abate sido
autorizado pelos serviços da Circunscrição Florestal do Sul.
Verificou-se também um abate ilegal de uma área em povoamento, sem que
a Quercus tenha conhecimento, até à data, se os serviços competentes
conseguiram repor a legalidade, com a intimação para plantação de novos
sobreiros e azinheiras.
O problema está a generalizar-se, e até
na Zona de Protecção Especial para Aves Selvagens, ZPE de Castro Verde,
já começou a ser instalada a monocultura de olivais.
Recentemente,
surgiu a pretensão da instalação de milhares de hectares de olival
intensivo na Herdade dos Machados, em Moura, o que pode vir a reduzir a
área de floresta mediterrânica e a biodiversidade que lhe está
associada.
Promotor espanhol abate azinheiras ilegalmente na Herdade da Ínsua
A
Herdade da Ínsua, localizada junto à margem esquerda do rio Guadiana,
no concelho de Serpa, foi adquirida o ano passado por uma empresa
espanhola, a Eurocompetência – Sociedade Imobiliária e de Exploração
Agrícola, Pecuária e Cinegética, Lda, com o objectivo inicial de
plantar olival intensivo, numa área onde existiam, até recentemente,
cerca de 700 ha de montado de azinho, num total de 957 ha da
propriedade.
Segundo denúncia recebida pela Quercus,
verificou-se que foi efectuado um abate ilegal de azinheiras.
Posteriormente foi requerido o abate de 613 árvores adultas, muitas
delas centenárias, tendo sido emitida autorização de abate, através do
Núcleo Florestal do Baixo Alentejo da Direcção-Geral dos Recursos
Florestais, alegadamente por se encontrarem secas ou doentes. Esta
situação é estranha, dado que o arvoredo marcado para abate se
encontrava maioritariamente verde, o que se pode constatar por
fotografias efectuadas e pelos ortofotomapas do local.
No local,
o cenário é constrangedor, com centenas de cepos e troncos de árvores
centenárias abatidas, muitas ilegalmente, existindo azinheiras cintadas
para abate, outras traçadas com uma cruz, por não terem sido
autorizadas, (mesmo assim dezenas delas foram arrancadas e cortadas à
revelia da legislação revelando, um desrespeito inaceitável).
Serviços do Ministério da Agricultura não actuam nem respondem à Quercus
Apesar
da Quercus ter formalizado duas queixas desde o passado dia 15 de
Fevereiro junto da entidade responsável, a Circunscrição Florestal do
Sul da Direcção-Geral dos Recursos Florestais, não obteve qualquer
resposta dos serviços do Ministério da Agricultura, continuando estes a
vetar o acesso à informação, em desrespeito do Código de Procedimento
Administrativo.
Apesar desta Associação ter recebido alguma
informação, através do SEPNA da GNR, tivemos conhecimento de que a
Circunscrição Florestal do Sul tinha suspenso a própria autorização de
abate das azinheiras, dado existirem muitas árvores verdes. No entanto,
até à passada semana, o promotor continuava a cortar as azinheiras,
destruindo a prova essencial para a sua responsabilização.
Quercus exige embargo e reposição com plantação das azinheiras
Dada
a gravidade do assunto, com o abate ilegal de azinheiras em povoamento,
as quais estavam maioritariamente sem problemas fitossanitários, a
Quercus exige uma peritagem e o embargo efectivo da acção, devendo ser
reposta a legalidade com a plantação de novas azinheiras e interditando
a plantação de olival intensivo pelo período de 25 anos. Esperamos
também que seja averiguado o motivo pelo qual foi autorizado este abate
pelos técnicos do Núcleo Florestal do Baixo Alentejo. Ficamos
entretanto a aguardar resposta dos serviços do Ministério da
Agricultura.
Lisboa, 23 de Março de 2008
A Direcção Nacional da Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza
O Núcleo Regional de Beja/Évora
Comentários
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