Não à associação da ENCE e Portucel para o projecto celulósico no Uruguai

Estamos profundamente preocupados com a possível associação da empresa portuguesa Portucel ao projecto da empresa espanhola ENCE no Uruguai, actualmente suspenso por falta de financiamento”, expressa uma carta aberta à sociedade portuguesa assinada por cerca de 30 organizações e movimentos sociais do Estado espanhol, Portugal e Uruguai, difundida esta 5ª feira. Os assinantes destacam os impactos ambientais e sociais, verificados desde há vários anos, dos monocultivos de árvores a grande escala para a indústria da celulosa, especialmente as que a ENCE já detém no Uruguai. Advertem que a aprovação da fábrica de celulose agravará esses impactos e denunciam que a empresa espanhola nem sequer comunicou o seu plano de florestação para alimentar a fábrica.

Montevideo, Madrid, Barcelona, Lisboa, 13/03/09

As organizações e movimentos sociais portugueses, espanhóis e uruguaios entendem que a Portucel Soporcel se apresenta como o possível sócio da empresa espanhola na instalação de uma fábrica de pasta de papel em Punta Pereira, Colónia. De facto, a Portucel já havia manifestado o seu interesse em instalar uma fábrica de pasta no Uruguai e, perante a crise internacional, a ENCE, que havia iniciado as obras para instalar a sua fábrica, apela à empresa portuguesa.

 

O Uruguai tem cerca de um milhão de hectares florestados com eucalipto e pinho para a indústria da celulose local e estrangeira. O principal impacto ambiental da florestação tem sido a diminuição das fontes de água, ao ponto de secar os poços de água de pequenos produtores de diferentes zonas do país. Só em redor da cidade de Mercedes, no oeste uruguaio, mais de 150 famílias são abastecidas de água por camiões cisterna do governo local para a sua vida diária e produção. Perto desse lugar, no departamento de Colónia, produtores agrícolas dedicados à agricultura, apicultura e produção de lacticínios, alertam que a florestação na zona ameaça sua permanência no meio rural, ao esgotar as suas fontes de água e prejudicar gravemente a qualidade dos seus solos. As entidades sociais assinantes, contestam também os importantes benefícios e discriminações positivas com as quais conta todo o processo florestal-celulósico no país, ao ponto de a fábrica da ENCE e as suas instalações portuárias se terem incorporado no regime de zona franca.

 

Um dos grandes argumentos do sector industrial e do governo uruguaio a favor da instalação destes empreendimentos foi a geração de mão de obra que implicam, em benefício do desenvolvimento do país. “Uma vez terminado o período de construção da fábrica de celulose, serão unicamente 300 as pessoas empregadas”, asseguram os assinantes da carta. “O fabrico de celulose conduz, além do mais, à ocupação de grandes superfícies de territórios, ocupação de grandes superfícies de territórios, à perda de soberania nacional por causa da concentração da terra em mãos de empresas estrangeiras e à destruição de ecossistemas (no caso uruguaio basicamente de pastagens), deslocando de forma irreversível outras actividades agropecuárias”, acrescentam.

O projecto da ENCE no Uruguai propõe-se produzir mais de um milhão de toneladas por ano, o dobro da pasta de papel que é produzida pela empresa nas suas fábricas instaladas no Estado espanhol. A questão da escala do empreendimento não é menor já que qualquer acidente terá impactos consideráveis na região.

Por estes motivos, as organizações sociais do Uruguai, Portugal e do Estado espanhol abaixo-asssinadas, opõe-se não só à possibilidade de que a Portucel se associe com a ENCE no Uruguai, como também à sua instalação em qualquer outra zona do país”, concluem os grupos sociais que já haviam realizado acções perante o governo do Estado espanhol contra o empreendimento da ENCE. Anunciam ainda que não irão descansar na luta contra este modelo florestal-celulósico.

 

Mais informações:

María Selva Ortiz (REDES-Amigos de la Tierra Uruguay)

Telf. + 598 - 99259822 ó 5982 9082730

agua [at] redes [dot] org [dot] uy (agua [at] redes [dot] org [dot] uy)

 

Gualter Barbas

GAIA

Telf. + 351 – 91 90 90 807

gualter [at] gaia [dot] org [dot] pt (gualter [at] gaia [dot] org [dot] pt)

 

Mónica Vargas (Xarxa de l’Observatori del Deute en la Globalització)

Telf. +34 – 66 202 64 97

Monica [dot] vargas [at] odg [dot] cat (monica [dot] vargas [at] odg [dot] cat)

 

 

 

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Bobagem

Como falam bobagem.....    uma empresa de celulose desse porte não gera apenas essa quantidade de emprego. O numero de empregos diretos é muito maior, o de indiretor ainda maior e a abrangência da cadeia como um todo é algo fenomenal para a região, que trará grande impacto para a economia do pais. Lógico que terão grupos contra, principalmente grupos de fora do Uruguai que não terão benefícios com essa instalação. Os cuidados tem que ser tomados, as normar, regras e diretrizes para a operação da unidade tem que ser bem definidas para minimizar o impacto que esse tipo de operação traz, mas os aspectos positivos são muito grande. Aliás, não é necessário ter toda terra na mão da empresa extrangeira, já que hoje é comummodelos de parcerias florestais para poder distribuir esse controle sobre a terra.

A verdade é, os europeus não podem produzir por lá pois não são competitivos então começam a criar dificuldades para o Uruguai, que tem mostrado um grande potencial. A Aragentina sempre reclama, não recebeu a fábrica de Fray Bentos pois mostrou que a corrupção é mais importante e perdeu a oportunidade, agora fica falando de poluição e se esquece de cuidar da Celulosa Argentina, que é um modelo mundial de destruição da natureza!! Não meus caros, essas fábricas atuais, trabalhando com seriedade, não traz esse problema todo, mas traz sim muita solução.

 

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