UMA PAUSA DE PAZ NO AMBIENTE DE MEDO
A FRIEZA ESTATÍSTICA E O CALOR DO SUCESSO
A PONTA DO ICEBERG
Lançado com êxito o pânico da Gripe A e garantida a paralisia do medo, é o momento de descontrair e passar à fase seguinte do programa: começa o
discurso oficial relaxante e reconfortante.
Ministra dá o toque e «mostra-se confiante na capacidade de resposta dos
laboratórios aos exames para detectar o vírus da gripe A, até porque, disse,
já não são feitas análises a todos os doentes suspeitos.» (1.9.2009)
A mim era o que me parecia mas se a ministra o diz é porque é: «já não são
feitas análises a todos os doentes suspeitos.» Febre estatística oblige.
+
Vem depois o Director-Geral e diz, pormenorizando com estatísticas e
previsões estatísticas o que vai ser a hecatombe: «11% dos portugueses podem ser infectados com o vírus H1 N1 nas estações frias e nas próximas semanas os mais afectados podem ser os jovens até aos 19 anos.
«O director-geral salientou que 80% dos casos ocorrem em crianças e jovens
com menos de trinta anos. «Francisco George ressalvou, no entanto, que este cenário não é diferente do que ocorre nalguns Invernos, em que 5% a 10% da população tem gripe.»
Que o cenário não é, não será nem tinha de ser diferente, era a mim o que me parecia. Mas se o Director Geral o afirma, na Fundação Gulbenkian,
(2.9.2009) , é porque é: « este cenário não é diferente do que ocorre
nalguns Invernos, em que 5% a 10% da população tem gripe.»
+
Perante as afirmações autorizadas das autoridades de Saúde e no meio da
frieza das estatísticas, algumas subtilezas que arranham a sensibilidade
vulgar dos menos inteligentes e dos menos bem informados como eu: por alma de quem é que ele sabe que as crianças serão + ou - afectadas do que os jovens?
«Nas próximas semanas, os jovens entre os 10 e os 19 anos serão os mais
afectados» disse também: aí está outra subtileza, outra previsão. Dedutível
de onde e como? Caprichos do vírus?
+
Outra subtileza só para inteligentes, é a «ponta do icebergue» ,
directamente enviada por quem tudo lo manda em matéria de Doença: a OMS.
Em Portugal, até 30 de Agosto, registaram-se 2.614 casos de gripe A
confirmados em laboratório. Mas este número pode estar longe da realidade,
como afirma o responsável pela unidade de doenças infecciosas da OMS: «É a
ponta do icebergue, porque a maior parte dos países só confirma uma pequena fracção do número total de infecções» salientou David Mercer presente na Fundação Gulbenkian.
A OMS estima que a gripe A, que já matou 2.200 pessoas em todo o mundo, se propague por mais dois ou três anos. Resumindo a história do icebergue: como as estatísticas, segundo assegurou David Mercer, só dão um fragmento dos casos, o icebergue completo já devem ser milhões de milhões de milhões: «É a ponta do icebergue, porque a maior parte dos países só confirma uma pequena fracção do número total de infecções».
Está tudo infectado menos a OMS, única a salvar-se da hecatombe.
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A paralisia do medo já nem dá para perceber se, de facto, esta gripe tão
especial é assim tão especial ou se é mais uma igual às outras. Ou se é e
não é. Ou se não é nem deixa de ser.
Para o efeito tanto faz.
A campanha foi um êxito, mobilizou os serviços e esgotou as máscaras nas
boticas, máscaras que dão fortes imagens na televisão e no «correio da
manhã».
Os kit alcoólicos já são anunciados como expressamente preventivos para
corresponder à demanda.
A publicidade em jornais e tudo o que é mostruário improvisado já a pagámos
e seremos recompensados no outro mundo destas benfeitorias a favor da saúde pública (?).
Este ano astral de 2009 tem sido particularmente providencial e uma bênção
dos céus: além do que já era habitual subsidiarmos para as despesas
sumptuárias do regime, subsidiámos de emergência mais dois pilares do
regime: os bancos em sérias dificuldades de liquidez (!!!) e as vacinas.
Tudo a bem do bem público e do ambiente de paz e tranquilidade que gozamos com a crise , apesar da crise e depois da crise.
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Quem continuará a rir-se de nós todos? E até quando?
Afonso Cautela é jornalista, ensaísta e escritor. Nasceu em Ferreira do Alentejo, a 19 de Fevereiro de 1933. Desempenhou um papel fundamental no lançamento do movimento ecologista em Portugal, em particular com os seus artigos sobre a temática ecológica e com a criação do Movimento Ecológico Português em 1974. Até 1977 publicou a revista Frente Ecológica.
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