Já lá vão 20 anos, que o muro tombou!

Esta frase foi o Christian que disse, mas já a ouvi muitas vezes na boca de outros alemães...
"Havia um bom sistema escolar, toda a gente tinha emprego, as pessoas não tinham medo do futuro... Há pessoas mais velhas que acham que antes era melhor.", em relação ao sistema da Alemanha de Leste antes da queda do muro do Berlim. Agora o Christian diz também, "Mas nós preferimos viver neste sistema: podemos viajar, comprar o que quisermos". Claro que ele também prefere na teoria, porque nunca viveu na prática o outro. Mas, acredito que viver sem liberdade de movimentos e de poder escolher seja um "mau" sistema para vivermos! No entanto, estas são duas boas afirmações para abrir uma discussão sobre afinal como é possível viver num sistema que não proibe e perserva recursos para os próximos que vem aí....para os que aqui estão...

Notícia do Christian: http://www.publico.pt/Mundo/a-primeira-cidade-comunista-em-solo-alemao-e...

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Ainda os efeitos da "união" entre as duas alemanhas...

Pois é...para além do que já foi dito queria só acrescentar o que aconteceu aos trabalhadores da Ex-RDA...muitos dos trabalhadores em fábricas passaram a trabalhar na Alemanha, na parte ocidental, já que as fábricas fecharam em massa...passaram a receber só UM TERÇO do que os seus congéneres e agora concidadãos ganhavam....pior que ser imigrante...

Abaixo os muros, mas...

É certo que a queda de um muro deve ser uma razão de celebração. A separação de povos e culturas, mesmo que distintas, é sempre algo que deve ser criticado e eliminado.

Falta, é claro, derrubar muitos outros muros. Muitos deles são criados pelos mesmos apóstolos da nossa sociedade "livre" (ou de consumo, onde podemos comprar o que quisermos!). Estou a lembrar-me em particular das fronteiras europeias, materializadas nos acordos Schengen e no FRONTEX, a mais agressiva medida de defesa do nosso sagrado território europeu das invasões dos primitivos povos que deprivámos de todo o seu sustento em África!

Mas voltando às celebrações que esta semana decorrem aqui por Berlim (onde me encontro), para mim estão carregadas de hipocrisia. Em tempos de crise acentuada do sistema capitalista - não apenas a financeira, mas sobretudo a ecológica, onde estamos a um passo de desregular todo o sistema climático mundial - aproveita-se esta celebração para fazer uma ode ao fim da história, ao fim dos regimes tiranos, à vitória absoluta do capitalismo e da sociedade de consumo como modelo final do desenvolvimento da Humanidade.

É também de referir o que sucedeu após o fim do muro e do pseudo-comunismo da RDA: a privatização da maioria da propriedade estatal ou empresas cooperativas, a sua venda a investidores estrangeiros, muitas vezes a 1 € (!), a total perda, por parte dos cidadãos da Alemanha de Leste, das suas terras, das suas fábricas, enfim, dos seus meios de produção. E, claro, do sistema social que um país dito comunista tinha construído e que não é certamente de ignorar, apesar de todos os seus defeitos.

Um outro pormenor interessante foi que todas as pessoas da ex-RDA receberam 100 marcos com a queda do muro, para poderem fazer compras na sua nova sociedade de consumo!

Gualter

Gualter Barbas Baptista