O cancro, a prevenção, a alimentação e o ambiente

A OMS, através da Agência Internacional de Pesquisa sobre o cancro, prevê que os casos de cancro vão duplicar em 20 anos. Em 2030 vão registar-se cerca de 21,4 milhões de novos casos de cancro por ano e registar-se-ão 13,2 milhões de mortes por comparação com os 12,7 milhões de novos casos e 7,6 milhões de vítimas mortais de 2008.

O presidente do colégio de oncologia da ordem dos médicos, Jorge Espírito Santo, parece pensar que essa duplicação se verificará grosso modo também em Portugal e aponta a impreparação dos serviços para lhe fazerem frente, embora estejam a trabalhar na perspetiva desse cenário de duplicação.

Entre a impreparação refere que já deveriam estar em curso programas de controlo do tabagismo e da obesidade e de educação para a saúde e através da aplicação dos programas de rastreio o mais rapidamente possível.

(adaptado de JN de 4 de Junho de 2004)

Comentando:

Já não é mau que se fale de programas de prevenção que têm a ver com a saúde pública, em vez de se apostar apenas nos "milagres" baseados nos avanços tecnológicos da medicina.

Mas parece que continua a silenciar-se o que é talvez o mais importante: o controlo da contaminação e poluição do ar, da água, dos solos e dos alimentos como indispensável e prioritário na prevenção do cancro.

Há dezenas de milhar de substâncias químicas nunca monitorizados e de que um número limitado só agora começam timidamente a sê-lo ao abrigo do programa REACH, já amputado de uma parte da sua ousadia inicial.

Continua a ser tabu falar da radioatividade civil e militar, mesmo em baixas doses e em laboração normal das instalações, como causa de
cancro. No domínio da poluição eletromagnética, só a leucemia infantil começa a ser vagamente admitida como podendo decorrer de instalações de alta tensão e outras fontes de emissão de radiações.

O recente estudo sobre telemóveis e antenas de telemóveis e seus
possíveis efeitos cancerígenos, em particular no cancro do cérebro,
que foi objeto de um adiamento na publicação de vários anos sem nunca ter sido cabalmente explicado o porquê desse adiamento, reflete mais o estado das batalhas de grupos de pressão do que uma clarificação, deixando a situação em estado inconclusivo.

Autoria: José Carlos Marques