CineTua arranca

 

3,2,1 Câmara Acção, ou Projecção!

 

O Cinema no Tua arrancou! Partimos de Lisboa rumo a Trás-os-Montes, mais precisamente para Mirandela, e começámos a viagem pelo maravilhoso mundo das aldeias ribeirinhas do Tua. Na mala levámos um projector, um sistema de som, um lençol, um computador, filmes da linha do Tua e uma vontade enorme de ouvir as populações que ficarão mais directamente afectadas com a eventual construção da barragem e destruição da Linha do Tua. A escuta do sentir das populações é o nosso objectivo principal, aquilo que nos traz a Trás-os-Montes.

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O Início das projecções

As projecções começaram na Sexta-feira, dia 02 de Julho, na aldeia do Castanheiro, concelho de Carrazeda de Ansiães, no meio das festas de S. Pedro. Cerca de 60 pessoas assistiram ao filme! No dia seguinte, fomos para a Brunheda, onde mais cerca de 60 pessoas estiveram presentes. Domingo fomos para Codeçais, onde de novo projectámos o filme, desta feita dentro de uma sala, onde estiveram cerca de 40 pessoas. A receptividade tem sido bastante boa à chegada do CineTua. Todas as aldeias têm configurações diferentes e em todas elas surgem discussões que têm tido dinâmicas diferentes, apesar de a tónica ser muito semelhante: a vontade das pessoas expressarem a sua opinião e demonstrarem o seu desagrado pelo fecho da linha do Tua.

 

Aquilo que mais nos contam

Muitas vezes ouvimos: "A barragem a nós não nos serve de nada"; "A nossa zona produz tanta electricidade, mas somos a região de Portugal que mais paga por KW"; "Querem melhor potencial para o turismo que uma linha como esta?"; "Mesmo para a agricultura, a água será cara e de má qualidade e não precisamos de uma barragem para ter água"; "Não era melhor ter mini-hídricas ao longo do rio Tua?"; "As barragens ao longo do Douro só trouxeram mais miséria àquelas populações"; "A linha do Tua traz muito mais emprego do que a barragem trará"; "Estamos cada vez mais isolados"; " Se o Sócrates vivesse aqui, já não deixava construir a barragem".

 

Falar da história do Tua

Nestas aldeias vivem muitos antigos ferroviários, que nos contam sobre a história e as estórias dos últimos 30 anos da linha. Uma história que passou de uma actividade dinâmica, com muitos empregos na manutenção e funcionamento da linha, para uma realidade de abandono. A linha afinal já estava abandonada muito antes de os comboios terem parado. Uma explicação para os acidentes que vieram a acontecer?

 

O Sentimento de impotência

Até agora percebemos que as populações mais afectadas com a construção da barragem e a paragem gradual da linha do Tua têm podido expressar a sua opinião de forma muito limitada, sendo que quando o fazem não são ouvidas. Demonstram o sentimento de se sentirem desamparadas, sozinhas e cada vez mais isoladas. O poder central é demasiado distante e autista, o poder local incoerente e obscuro nas suas declarações e decisões.

Acima de tudo esta experiência é uma aprendizagem enorme, que depois se deseja tornar viva, usando-a para construir a vida e a sociedade que as populações desejam.

Comentários

Quando se prepara a projecção

Quando se prepara a projecção do filme, não se prepara com o filme em reprodução. E é isso que a fotografia representa: a preparação, parte de montar "a mobília" para projectar o filme. Podia era ser outro sistema operativo a ser projectado na foto, isso podia. Mas, se já adoras o windows projectado (ou seja a parte da preparação), que diria do filme que depois passou...

Adoro o filme que está em

Adoro o filme que está em exibição na foto: o belo do Windows, e é o Vista, caraças! É muita bom.

Não te preocupes, é

Não te preocupes, é pirateado!