O Cinco dias dá-nos conta da vitória que a Comissão de Pais da escola Eb1 da Boa Fé, no distrito de Évora, conseguiu, ao impedir que esta fosse fechada para o próximo ano lectivo.
Exemplos destes dão-nos forças para nas nossas terras lutarmos pelo que acreditamos, um país democrático e participativo, em que a pessoa humana é a prioridade que rege as decisões tomadas.
O comunicado da Comissão de Pais segue abaixo.
Não deixámos morrer a nossa escola!
Todos nós, pais e encarregados de educação dos alunos da Eb1 da Boa Fé (Évora), começámos activamente em finais de Maio a luta por um direito simples e básico (mas paradoxalmente cada vez mais raro) que nos assiste: educação de qualidade na nossa zona de residência. Assim que tomámos conhecimento da irracional decisão administrativa do Ministério da Educação, da Câmara Municipal de Évora e do Agrupamento de Escolas para encerrar, sem qualquer argumento convincente, lógico ou razoável, a nossa escola, iniciámos uma luta sem tréguas que encontra agora um primeiro desfecho: a escola pública da Boa Fé não será encerrada no próximo ano lectivo!
A robustez dos nossos argumentos, a frontalidade com que nos manifestámos e a legitimidade da nossa ameaça de não deixarmos os nossos filhos serem transferidos para uma escola com piores condições acabaram por prevalecer. O poder democraticamente eleito para representar os nossos interesses teve de ceder… para representar os nossos interesses.
Bem equipada, contando com um generoso e cuidado espaço de recreio e apresentando sucesso escolar muito acima da média nacional, ao qual não são indiferentes a excelente atmosfera de trabalho nem o alto nível de interesse e empenhamento mostrado pelos alunos, a nossa escola continuará a ser um dos pilares em que assentará a luta contra o isolamento das nossas crianças.
No mesmo mês em que a imprensa anunciava que o governo de Nova Iorque aprovara um plano para substituir gradualmente os grandes centros escolares (acusados de reproduzir iletrismo e indigência intelectual) por escolas mais pequenas, o governo português anunciava o encerramento de centenas de pequenas escolas e a sua substituição por mega-centros escolares!? Aqui, como no resto, os governantes deste país, orgulhosamente sós, davam-nos os habituais sinais de querer contrariar as tendências seguidas por sociedades mais desenvolvidas – tudo isto regulado pela lei cega que subjaz ao neo-liberalismo selvagem: depauperar o que é público (hospitais, centros de saúde, postos médicos, escolas, universidades), activar o que é privado (centros comerciais, auto-estradas, apartamentos de luxo, clínicas privadas, iates, campos de golfe, hotéis, resorts).
É neste paraíso do novo-riquismo analfabeto que não abdicaremos de lutar para que a Escola da Boa Fé continue a oferecer (como tantas outras escolas rurais) um produto de elevada qualidade, capaz de promover o sucesso escolar e o combate à desertificação do interior.
Para quando um novo 25 de Abril?
A Comissão de Pais e Encarregados de Educação dos Alunos da Eb1 da Boa Fé.