Angústia no Japão e... mais além?

Originalmente publicado em http://ingenea.gualter.net

Os resultados do sismo no Japão continuam a fazer vítimas e certamente que o país não voltará a ser o mesmo. O que passa no Japão é certamente uma lição para os cornucopianos, aqueles que confiam cegamente que a ciência e tecnologia desenvolvidas pelo engenho humano são capazes de resolver tudo e de lidar com qualquer problema que venhamos a criar (tal como o lixo nuclear que se vai acumulando sem solução, ou a crise do petróleo e a crise energética).

O mito cornucopiano cai por terra quando o Japão, provavelmente o país do mundo mais bem preparado para lidar com sismos, sofre de incêndios em refinarias, destruição de hidroeléctricas, explosões de termoeléctricas, derrame em grande escala de materiais altamente contaminantes que vão perdurar no solo durante as próximas décadas.

O pior é, contudo, o risco iminente de derretimento nuclear que paira sobre a central de Fukushima. De facto, como publica o 31 da Armada, comparar efeitos relativamente localizados e que se ultrapassam ao fim de alguns anos, com o impacto de um acidente nuclear, cuja radiação se espalha largamente no espaço e no tempo, é defender o indefensável de políticas energéticas absurdas. O El País relata que a central nuclear de Fukushima é idêntica à de Garoña, perto de Burgos. Apesar de não tão próxima como a central de Almaraz, um acidente em tal central teria também muito provavelmente efeitos no território português.

A situação em Fukushima está totalmente fora de controlo e o governo envia informações contraditórias, a par com um estranho silêncio da comunicação social. Esta manhã uma explosão fez temer o pior e, embora o governo afirme que não se tratou de uma explosão no reactor, o pânico da população e debandada humana fazem crer que a situação é mais séria do que aquilo que o governo afirma. Nenhum governo no seu perfeito juízo iria anunciar um derretimento nuclear e lançar o pânico, sem antes tentar estruturar a evacuação, que aliás já passou de um raio de 3 km para 10 km e agora para 20 km.