Por um modelo energético descentralizado, democrático e ecológico

Originalmente publicado em http://ingenea.gualter.net

O encerramento das centrais nucleares ainda existentes em Espanha e mesmo em toda a União Europeia é uma prioridade absoluta e de aplicação relativamente simples: a contribuição do nuclear para o mix energético (total e não apenas de electricidade) é pouco significativo; a tecnologia é dispendiosa, só sobrevivendo à custa de subsídios e garantias dos Estados; as reservas de urânio estão a escassear; os riscos de acidentes nas centrais são temerosos; e ninguém sabe o que fazer com os resíduos nucleares que constituem um risco por milhares de anos.

Apesar disso, o debate sobre a energia não deve esgotar-se aí. Não é suficiente substituir as centrais nucleares por centrais a carvão ou a petróleo. Por outro lado, as energias renováveis também não são a bala de prata que vai suprir todas as necessidades energéticas da nossa sociedade, sobretudo se o consumo de energia se mantiver aos níveis actuais ou continuar a crescer.

É preciso repensar toda a nossa forma de produzir e consumir energia, não só ao nível individual, mas também (e sobretudo) ao nível do sistema económico e da organização social.Há alguns anos atrás o Le Monde Diplomatique pediu-me para escrever um artigo sobre as energias renováveis. Esse artigo, intitulado “Energias Renováveis: por um modelo descentralizado e ecológico”, contém muito daquilo que são as minhas perspectivas para um modelo energético mais democrático e ecológico, onde cada cidadão é não só um consumidor, mas também um produtor. Fica a nota, para alimentar uma discussão sobre a transição de modelo energético, a qual terá que acontecer mais cedo ou mais tarde.