Este sábado, dia 9 de Abril, um grupo de cerca 15 activistas quis exemplificar como a rua Garret poderia ter outra dinâmica, sem carros (menos "chapa", ruído, fumo, menos perigo) e mais espaço para bem estar e qualidade de vida e disfruto do espaço público.
Fica o texto distribuído nessas horas de sofá, limonadas, cafés, livros, conversas, jogos, discussões e....
"Chegamos a um ponto em que a rua já quase só serve para os carros. Os espaços onde nos encontramos agora são estradas e temos que aguardar ordens para fazer algo tão simples como caminhar, arriscando-nos a sermos mortalmente atropelados.
Não bastasse já quase toda a rua ser estrada, ainda mais espaço é usado só para deixar os automóveis parados. Esse espaço, onde não está ninguém, podia servir para estarmos mais à vontade, para vivermos, para nos encontrarmos uns com os outros.
Em vez disso serve só como uma espécie de armazém ao ar livre. O nosso espaço é subjugado às necessidades do automóvel, e as nossas cidades ficam estéreis porque não há espaço para as pessoas.
Por hoje fazemos esta pequena reconquista. Jogamos, convivemos, e aproveitamos estes metros quadrados.
Há um milhão iguais a este, já imaginaste se fossem nossos, como poderiam ser? Se servissem para alguma coisa útil, que não pousar um carro vazio durante horas, dias?
A rua Garrett é hoje o eixo principal do renascido coração do Chiado. Todos os dias e praticamente a todas as horas, multidões correm-na acima e abaixo, olhando os escaparates e namorando as montras.
Dizemos que a rua vida palpita de vida porque está cheia de pessoas; de outro modo, é legítimo afirmar que a natureza da rua é eminentemente pedonal.
E contudo, esta natureza não é corroborada pela sua estrutura: os passeios são insuficientes para albergar tantos movimentos, sendo comum que muitos peões preferem deslocar-se na própria estrada do que no espaço que lhes está destinado; e assim, talvez seja totalmente injustificável que uma rua tão atractiva continue a permitir a entrada de automóveis e de permitir o seu estacionamento; e é também esse estado de coisas que permite a invasão literal dos seus passeios em dias de maior actividade nocturna.
A transformação integral da rua Garret numa rua de plena tipologia pedonal obedeceria ao critério da sua forma acompanhar a função que hoje apresenta. Para tal a circulação e o estacionamento de automóveis deverão ser totalmente abolidos, devendo apenas permitir-se o movimento de empresas de cargas e descargas em horários adequados.
As vantagens são várias:
• Continuidade pedonal entre o largo do Chiado e a Rua do Carmo
• Maior atractividade turística e comercial da zona com reflexos imediatos na economia
• Possibilidade de instalação de mais esplanadas
• Aumento da superfície pedestre da cidade Hoje tentamos simular o que poderia acontecer todos os dias caso a cidade tivesse mais ruas pedonais. "
