Democracia Verdadeira já!

A praça do Rossio continua a ser palco de uma "acampada", com assembleias diárias para debate e deliberação daquilo que nos move.

"Tive oportunidade de participar nas assembleias de Sábado e Domingo. A sensação de democracia e solidariedade é incrível. Ver cerca de 400 pessoas no sábado e 600 no Domingo a pegarem no megafone e a apresentar, debater e deliberar ideias várias, sem líderes e de forma a criar uma plataforma de entendimento, é o que mais genuinamente se pode definir como democracia. No processo de entender aquilo que nos junta, já atingimos um objectivo indispensável: a democracia verdadeira."

O GAIA, na sua actividade diária de sensibilização para uma sociedade mais sustentável e solidária, não pode deixar de apoiar activamente este movimento, que desejamos irresistível, de enraizamento da democracia para um nível horizontal e directo, directamente ligado a cada pessoa. Estamos na praça de coração unido com toda a gente!

Quem não puder estar presente no local, pode seguir os acontecimentos na página oficial em http://acampadalisboa.wordpress.com/ ou nas páginas ou blogs de pessoas participantes nas assembleias,como http://5dias.net/    http://www.precariosinflexiveis.org/ ou http://pt.indymedia.org/

Também na nossa página iremos dando conta com relatos em primeira mão daquilo que no Rossio se vai passando. Claro que nada disto dispensa a presença ao vivo na praça, para participação directa em todo o processo, única forma de garantir o seu sucesso. Entretanto, na assembleia de Domingo deliberou-se o seguinte manifesto:

1º Manifesto do Rossio

Os manifestantes, reunidos na Praça do Rossio, conscientes de que esta é uma acção em marcha e de resistência, acordaram declarar o seguinte:

Nós, cidadãos e cidadãs, mulheres e homens, trabalhadores, trabalhadoras, migrantes, estudantes, pessoas desempregadas, reformadas, unidas pela indignação perante a situação política e social sufocante que nos recusamos a aceitar como inevitável, ocupámos as nossas ruas. Juntamo-nos assim àqueles que pelo mundo fora lutam hoje pelos seus direitos frente à opressão constante do sistema económico-financeiro vigente.

De Reiquiavique ao Cairo, de Wisconsin a Madrid, uma onda popular varre o mundo. Sobre ela, o silêncio e a desinformação da comunicação social, que não questiona as injustiças permanentes em todos os países, mas apenas proclama serem inevitáveis a austeridade, o fim dos direitos, o funeral da democracia.

A democracia real não existirá enquanto o mundo for gerido por uma ditadura financeira. O resgate assinado nas nossas costas com o FMI e UE sequestrou a democracia e as nossas vidas. Nos países em que intervém por todo o mundo, o FMI leva a quedas brutais da esperança média de vida. O FMI mata! Só podemos rejeitá-lo. Rejeitamos que nos cortem salários, pensões e apoios, enquanto os culpados desta crise são poupados e recapitalizados. Porque é que temos de escolher viver entre desemprego e precariedade? Porque é que nos querem tirar os serviços públicos, roubando-nos, através de privatizações, aquilo que pagámos a vida toda? Respondemos que não. Defendemos a retirada do plano da troika. A exemplo de outros países pelo mundo fora, como a Islândia, não aceitaremos hipotecar o presente e o futuro por uma dívida que não é nossa.

Recusamos aceitar o roubo de horizontes para o nosso futuro. Pretendemos assumir o controlo das nossas vidas e intervir efectivamente em todos os processos da vida política, social e económica. Estamos a fazê-lo, hoje, nas assembleias populares reunidas. Apelamos a todas as pessoas que se juntem, nas ruas, nas praças, em cada esquina, sob a sombra de cada estátua, para que, unidas e unidos, possamos mudar de vez as regras viciadas deste jogo.

Isto é só o início. As ruas são nossas.