Negociata EDP-Sócrates: 49 milhões por ano para PPP

Para expor a grande negociata que está por detrás do PNB e das PPP associadas, devemos usar os argumentos e pressupostos do Governo de Sócrates no documento de 2007, Programa Nacional de Barragens com elevado Potencial hidroeléctrico (PNBEPH), do Inst. da Água, REN e Direcção Geral de Energia e Geologia para demonstrar que as novas Barragens não eram necessárias.

Também se pode demonstrar que se tivessem feito, em 1º lugar, o Reforço de Potência das Barragens deixava de existir justificação para as novas Barragens usando os mesmos pressupostos apresentados pelo Governo de Sócrates. O Reforço de Potência das barragens existentes permite satisfazer as necessidades do mercado às horas de maior procura e é muito mais rápido e barato de executar do que a construção das novas barragens.

Reforço de Potência das Barragens permite escoar água mais rapidamente numa barragem existente. Em vez de existir uma saída turbinável tem duas. Isto permite satisfazer as necessidades do mercado às horas de maior procura. Aumenta-se a potência mas a energia total mantém-se. Contudo a política energética Governo Sócrates/EDP (chamemos-lhe assim) não passou nem por uma estratégia de Eficiência Energética nem pela capitalização de recursos através do Reforço de Potência de Barragens.

NOVOS DADOS CRUCIAIS ANUNCIADOS PELO NOVO SEC. ESTADO DA ENERGIA

O Sec. Estado da Energia Henrique Gomes, na Ordem dos Engenheiros a 19 de Outubro de 2011 ANUNCIOU que eventualmente só os da
fase A serão concretizados por falta de capacidade de financiamento dos promotores, ou seja, ficará por cerca de 6000 MW eólicos).

DEMONSTRAÇÃO QUE NÃO ERA NECESSÁRIO CONSTRUIR NOVAS BARRAGENS

No documento de 2007, Programa Nacional de Barragens com elevado Potencial hidroeléctrico (PNBEPH), do Inst. da Água, REN e Direcção Geral de Energia e Geologia é dito:

" Os estudos preliminares realizados indicam a conveniência de dispor de uma capacidade reversível da ordem 1 MW por cada 3,5 MW eólicos"

Ou seja para termos um bom aproveitamento da energia eólica por cada 3,5 MW Eólico precisamos de ter 1 MW hídrico reversível

3,5 é o (factor de reversibilidade dado pelo documento referido)

Como no PNBEPH o objectivo era garantir que a electricidade eólica fosse toda aproveitada quando atingir os 8000 MW de origem eólica, para saber a capacidade hídrica reversível correspondente basta dividir:

8000/ 3,5 (factor de reversibilidade )

8000 / 3,5 = 2286 que podemos arredondar para o valor 2300 MW hídrico reversível

ACONTECE QUE ESTE VALOR JÁ EXISTE ATRAVÉS DAS:

(BARRAGENS EXISTENTES COM REVERSÍBILIDADE + REFORÇO DE POTÊNCIA DAS BARRAGENS)

EXEMPLO DE BARRAGENS EXISTENTES COM REVERSIBILIDADE

No Rio Lima - Alto Lindoso

No Rio Cávado são várias - Vilarinha da Furna (Caniçada); Alto do Rabagão e Salamonde

No rio Guadiana: Alqueva

REFORÇO DE POTÊNCIA DAS BARRAGENS EXISTENTES - É muito mais rápido e rentável que construir novas barragens

OUTROS ARGUMENTOS ECONÓMICOS CRUCIAIS

RESUMO:

NAS NOVAS BARRAGENS DO PNBEPH o valor do investimento médio é de 1105€/kW, ou seja é 240% superior (factor de 2,4).

NO REFORÇO DE POTÊNCIA DE VENDA NOVA III o valor do investimento médio é de 462€/kW

OU SEJA O REFORÇO DE POTÊNCIA É MUITO MAIS RENTÁVEL PORQUE A BARRAGEM JÁ EXISTE

DEMONSTRAÇÃO:

Comparando com a produção prevista para as novas barragens, temos um período de funcionamento de +65% (1200/727) e um investimento muito menor de 462€/kW, quando nos empreendimentos do PNBEPH o valor do investimento é de 1105€/kW, ou seja é 240% superior (factor de 2,4).

As novas barragens, segundo os valores dados pelo INAG (http://pnbeph.inag.pt/np4/p/projectos), irão funcionar
cerca de um mês por ano (727 horas/ano) terão um investimento médio de 1105,2€/kW e irão produzir 1672 GWh/ano

Reforço de Potência: Venda Nova III.

Trata-se de uma barragem existente que entrou em funcionamento em 1951 (60 anos) no rio Cávado/Rabagão e que teve um primeiro reforço de capacidade em 2005.

Este segundo reforço de capacidade iniciou a sua construção em 2010 e estará concluído em Julho de 2015. A EDP indica no seu site que já possui financiamento por parte do BEI – Banco Europeu de Investimento. O valor do investimento é, segundo o Estudo de impacte ambiental de 340 milhões de euros (EIA) e com uma potência de 736 MW (valor da EDP).

A produção de energia eléctrica líquida (sem bombagem) será em ano hidrológico médio de 880 GWh. Se for considerado também a reversibilidade e a optimização da combinação com a produção eólica, então a produção eléctrica expectável será de
1273 GWh/ano (EDP).

Assim, para uma potência efectiva de 736 MW e uma produção líquida de 880 GWh, temos um número de horas de funcionamento anual à plena potência de quase 1200 horas (880*1000/736).

Comparando com a produção prevista para as novas barragens, temos um período de funcionamento de +65% (1200/727) e um investimento muito menor de 462€/kW, quando nos empreendimentos do PNBEPH o valor do investimento é de 1105€/kW, ou seja é 240% superior (factor de 2,4). Isto deve-se a que a barragem já existe. Está-se a fazer uma nova conduta.

CONCLUSÃO FINAL:

AS NOVAS BARRAGENS NÃO ERAM NECESSÁRIAS SE FOSSEM UTILIZADAS AS

(BARRAGENS EXISTENTES COM REVERSÍBILIDADE + REFORÇO DE POTÊNCIA DAS BARRAGENS)

Coloca-se a pergunta final:

Se isto é tão evidente porque razão se avançou com as novas Barragens em que o balanço energético é nulo?

Foi devido à negociata que não passa de uma operação financeira e que permite à empresa que vai construir a nova Barragem ter a possibilidade de comprar a energia Eólica a baixo custo (subsidiada pelo contribuinte) para efectuar a Bombagem da água para depois vender a energia hídrica a preço muito mais caro à hora de pico. Além disso, foi criada a portaria da Garantia de potência

Estado garantirá às concessionárias das barragens 30% de receitas, quer haja água nas albufeiras para produzir energia hidroeléctrica ou não.

AS NOVAS BARRAGENS NEM SEQUER VÃO TER VERBAS DA UNIÃO EUROPEIA PORQUE COM UM CONTRATO DESTES O LUCRO JÁ ESTÁ ASSEGURADO.

Portaria de Garantia de Potência.
Portaria nº 765/2010, artigo nº 10, nº 3 alínea b), para qualquer empreendimento que esteja no âmbito da política energética definida pelo Governo.

Receita de 20mil euros/MW. Assim para a Barragem do SABOR dará 170MW a 20k€/MW 3,4 milhões de euros por ano.

49 milhões
por ano é quanto o Estado vai pagar às concessionárias das futuras barragens, o prazo de concessão varia entre os 65 a 75 anos

A melhor solução para Portugal (que está falido) deveria passar por uma aposta séria na eficiência energética. É a opção mais barata e eficaz e nem é necessário investir no transporte de energia.

Rui Rodrigues

Comentários

paga e psht calou!

isto já era sabido mas nada melhor que umas contas bem feias para meter as coisas em pratos limpor. Como diria alguém algures "é difícil baixar as calças e apertar o cinto ao mesmo tempo"