Desde fevereiro 2013 que um conjunto de pessoas ocupava duas casas (um lugar de habitação e um centro social autogerido) nos arredores de Avignon, sul de França. Casas que tinham sido expropriadas pelo estado francês para a construção da autoestrada LEO. Inspiradas pela ZAD, (http://zad.nadir.org/?lang=en), as jovens do colectivo "Leopart" dedicaram o último ano da sua vida a opor-se ao mundo da LEO (obsessão pelo dinheiro, lobbies, crescimento económico, destruição do planeta) e, ao mesmo tempo, experimentar e viver de forma autónoma, sem hierarquias e em comunhão com a natureza.
No passado 5 de novembro às 6h da manhã, um arsenal de máquinas de demolição e uma centenas de representantes das forças da ordem irromperam no lugar para despejar as 6 pessoas, 2 galinhas e um gato que se encontravam nesse momento na casa. Um bloqueador de chamadas de telemóvel impedia qualquer apelo à solidariedade. Ao final do dia, as casas, hortas, cabanas e diversas construções, resultado de meses de trabalho colectivo, estavam reduzidas a destroços.
A expulsão era completamente inesperada, quando as ocupantes aguardavam um processo em tribunal. Um dia marcado pela
Cintura Verde da cidade coberta de polícias, o presidente da câmara a pavonear-se e uma cobertura mediática encenada.
Esta ocupação, a que mais de uma dezena de pessoas vinha dando vida, acontecia no quadro da luta contra a LEO. A construir-se, esta autoestrada irá destruir a Cintura Verde, uma das últimas e das mais férteis zonas verdes na periferia de Avignon, o pulmão da cidade, e destruir a vida simples baseada na agricultura que ali acontece desde sempre - mesmo às portas do frenesim consumista da cidade.
A 27 de Abril de 2013, uma grande manifestação e ocupação da zona durante 5 dias deu a conhecer a luta dos habitantes (https://juralib.noblogs.org/2013/05/04/avignon-contre-la-leo-et-son-monde/).
A ocupação, uma das "estrelas" da "constelação" Reclaim the Fields (http://reclaimthefields.org/), era uma forma de resistência e de experimentar o mundo em que queremos viver. Na "Vis-la-Résistance", o centro social ocupado, organizaram-se dezenas de actividades políticas e culturais. O colectivo "Horta" cultivava um terreno igualmente ameaçado de destruição, que garantia a autonomia alimentar da ocupação e onde faziam um mercado semanal, no qual os legumes biológicos colhidos eram oferecidos a donativo livre.
Os financiamentos para a autoestrada sofreram um atraso e a construção da LEO só está prevista para 2030-2050. No entanto o estado vai já desenhando e impondo o seu traçado a golpes de bulldozer.
Apesar da violência da expulsão, o colectivo Leopart garante que não vai baixar os braços.
blog do colectivo Leopart http://leopart.noblogs.org/