Apelo internacional à solidariedade contra a violência e a repressão policial - Sábado 22 de Novembro - 15h

“Toutes et tous à la manif du 22 novembre à Nantes” - Apelo internacional à solidariedade contra a violência e a repressão policial - Em Lisboa: 22 novembro, Rossio, 15h

O silêncio na vida prepara o silêncio na morte.

Prepara para as granadas rebentarem no pescoço de quem defende a sua paisagem, as suas florestas, os seus montes. Foi o caso de Rémi Fraisse, 21 anos, assassinado na noite de 26 para 27 de Outubro 2014 em Testet (França).

Prepara para que nas operações STOP os agentes da autoridade possam disparar e matem jovens que não têm seguro ou documentos e não podem parar para mostrar as suas credenciais de bons cidadãos ricos. Foi o caso de Rúben Marques , morto em Setúbal no 16 de Março 2013. Ou de Davide Bifolco assassinado em Nápoles na noite de 4 para 5 de Setembro 2014.

São excepções? O nosso silêncio torna-as regra.

Prepara para que grandes operações policiais, com dezenas de agentes armados, se tornem comuns no quotidiano das cidades e das suas periferias.

Prepara para que se tornem banais as rusgas em zonas de diversão nocturna, operações stop nas estradas nacionais, identificações e revistas aleatórias nas ruas, operações em transportes envolvendo diversos corpos policiais, da PSP ao SEF, e, acima de tudo, uma ocupação violenta, militar e permanente do espaço público que lança o caos e a confusão na rua. P

Prepara para que migrantes se afoguem no mar debaixo de uma chuva de disparos a proteger fronteiras de privilégios, como acontece entre Ceuta (Espanha) e Melilla (Marrocos). Prepara para que migrantes sejam detidos, espancados, mortos por um crime sem delito, sem processo, sem tribunal, uma punição sem justiça, corpos sem a protecção do direito, internados em territórios extra-jurídicos, os abusos como norma.

Prepara para que protestos estudantis ou sindicais sejam vigiados por câmaras ubíquas, olhos nas paredes, sem discrição, um espaço público sem privacidade, sem mais esconderijo.

Prepara para nos sentirmos observados sempre, sem liberdade de acção e de pensamento.


Ficamos calados, os olhos electrónicos protegem-nos das más intenções, dos anseios de liberdade.


Grandes obras de interesse privado que as comunidades locais rejeitam e as empresas multinacionais e os estados impõem. A ZAD em França, o NO TAV em Itália, são os casos exemplares deste impasse cidadanista. E quando a morte não é instantânea as leis contra o terrorismo tentam matar os desejos de dignidade e de autonomia. Prepara para que na Turquia, em Gezi, na primavera de 2013, um jardim, um espaço de convívio, seja transformado num centro comercial e num parque de estacionamento, e que milhares de pessoas saiam à rua e seis delas sejam mortas.


Prepara para que 43 jovens no México sejam mortos pelas forças da ordem complacentes e cúmplices com a criminalidade organizada, que os jovens estavam a denunciar indignados com um sistema mafioso de interesses financeiros protegidos com armas militares.


Prepara para que em Nápoles as lixeiras ilegais sejam protegidas por tanques militares enquanto sítio de interesse nacional e as populações tenham de habituar-se ao cancro e fruta e legumes e gado disformes.


Prepara para a repressão dos movimentos de defesa do direito à habitação que não se encaixa na ordem do mercado imobiliário: tudo se vende, as pessoas não valem nada, os tribunais mandam, os polícias obedecem.


Remetermo-nos ao silêncio é aceitar estar à mercê das decisões arbitrárias do poder soberano sobre a vida e a morte.
Nenhum destes casos particulares é uma excepção a não ser que chamemos excepção ao que já se tornou a norma: é a nossa silenciosa normalidade que cala as excepcionais vozes do protesto e da indignação.


Gritemos para não ficar calados, rebentemos para não ficar estéreis, lutemos para não ficar a perder tudo!


À violência do sistema do silêncio estabelecido, respondamos com a força da
solidariedade.

 

Comentários

a bem ou mal dizer

falaram de tudo menos dos assassinios na Linha do Tua...
e porquê em Nantes se a concentraçao principal em manifesto contra a brutalidade da policia que matou Remi é em Albi e Toulouse?