McDonald's devasta Amazônia

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MBIENTE

Greenpeace afirma que soja da Amazônia vira ração de frango da rede de fast-food; empresa promete investigar o caso

McDonald's devasta Amazônia, acusa ONG
CLAUDIO ANGELO
EDITOR DE CIÊNCIA

Depois da conexão hambúrguer, a conexão Chicken McNuggets. Um relatório da ONG ambientalista Greenpeace, divulgado ontem, afirma que consumidores de fast-food na Europa podem estar contribuindo involuntariamente com o desmatamento na Amazônia, ao consumir frango alimentado com soja plantada na região da floresta.

O documento, intitulado "Comendo a Amazônia", afirma que o McDonald's, maior rede de fast-food do mundo, compra frango de uma subsidiária da multinacional americana de alimentos Cargill, apontada pelo Greenpeace como uma das principais "criminosas" por trás da expansão predatória da soja na Amazônia.
A Cargill disse que não poderia comentar o relatório, por tê-lo recebido somente ontem. A direção do McDonald's no Reino Unido disse que iniciaria "imediatamente" uma investigação sobre o caso.

"A produção da soja incorpora uma enorme cadeia de ilegalidades, e elas terminam no prato de alguém na Europa", disse ontem o coordenador da campanha Amazônia do Greenpeace, Paulo Adário. Essas ilegalidades vão do desmatamento além da reserva legal (a lei brasileira determina que 80% da área de propriedades na Amazônia deve ser mantida como floresta, determinação que quase ninguém cumpre) até o uso de trabalho escravo, visto em fazendas do Pará e de Mato Grosso.

Ele afirmou que o relatório é resultado de um ano de investigações feitas pela ONG, que acompanhou carregamentos de soja saídos da Amazônia.

Multinacionais

Segundo o Greenpeace, a soja é hoje a maior ameaça à floresta, e teve um papel crucial na explosão do desmatamento nos últimos anos (em 2003/2004, a devastação chegou a 27.000 km2). Mato Grosso, principal produtor do grão no país -e campeão absoluto de desmatamento-, viu a área plantada com soja dobrar desde 1996.

Empurradas pelo aumento da demanda mundial e pela fartura de terras na Amazônia, grandes multinacionais de alimentos dos EUA começaram a investir em infra-estrutura, como silos e estradas, e no financiamento de sojicultores na região. Segundo o relatório do Greenpeace, 60% do financiamento à produção de soja no país vem de três empresas: a ADM, a Bunge e a Cargill.

Esta última é classificada como a principal vilã das três. A acusação se deve sobretudo à construção de um porto para escoamento de soja em Santarém, no Pará. O porto da Cargill sofreu contestações por parte do Ministério Público, que considerou insuficientes os estudos de impacto ambiental apresentados para a obra. O porto foi, ainda, o indutor da recente expansão da soja para a região de Santarém.

Do porto de Santarém a soja vai para Liverpool, na Inglaterra, onde é processada pela Sun Valley, subsidiária da Cargill que usa a oleaginosa como ração de frango. A Sun Valley é o principal fornecedor de frango para o McDonald's em 46 países.

Frango escaldado

Adário apelidou essa teia comercial de "conexão Chicken McNuggets", em alusão à expressão "conexão hambúrguer", criada pelo ecólogo Norman Myers na década de 1980 para explicar como o aumento no consumo de carne nos EUA fazia aumentar o rebanho bovino e o desmatamento na América do Sul. "Estamos pedindo que o McDonald's tire a Amazônia do cardápio", disse.
"Estamos muito preocupados com essas questões ligadas ao ambiente tanto em relação à nossa atuação como às responsabilidades de toda nossa rede de fornecedores", disse o diretor de Qualidade e Segurança do McDonald's Europa, Keith Kenny. "Além de analisar cuidadosamente o relatório iniciaremos uma investigação imediatamente sobre o caso."

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/fe0704200601.htm


Soja é principal vetor do desmatamento, diz pesquisa do Greenpeace
AMAZÔNIA
http://agenciacartamaior.uol.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia...

Greenpeace lança simultaneamente no Brasil, na Europa e nos EUA estudo
que aponta a expansão da soja como principal culpada pelo desmatamento
da Amazônia. Campanha da ONG quer constranger empresas européias a não
comprar, e consumidores a não comerem alimentos derivasdos da soja
amazônica. McDonald's foi alvo principal.

Verena Glass - Carta Maior

SÃO PAULO - A Campanha Internacional de Florestas do Greenpeace lançou
nesta quinta (6), de forma simultânea na Europa, nos EUA e no Brasil, um
relatório resultante de três anos de investigação que aponta não mais a
indústria madeireira, velha vilã do desmatamento, mas a expansão da soja
como principal vetor da destruição da floresta amazônica no Brasil.

O estudo, que incluiu várias expedições ao arco do desmatamento - região
que se estende do sul do Pará ao norte do Mato Grosso, incluindo áreas
do Tocantins, Maranhão e Rondônia -, entrevistas com comunidades
afetadas e análise de imagens de satélite, avançou para além do registro
da devastação e dos impactos sócio-ambientais. Com o objetivo de cobrir
todos os aspectos da cadeia da soja da Amazônia, foram colhidos dados
sobre exportação, comercialização e processamento da soja, incluindo o
monitoramento de navios para o mercado internacional e o destino final
do produto, os alimentos consumidos pela população européia.

Segundo a ONG, o relatório, que, no Brasil, se concentra na ação de três
das maiores multinacionais do agronegócio - Archer Daniels Midland
(ADM), Bunge Corporation e Cargill -, traz "o retrato de uma indústria
vigorosa e devastadora, e inclui novas evidências da responsabilidade
das empresas norte-americanas e do papel involuntário de consumidores
europeus na destruição da floresta, na grilagem de terras, expulsão de
comunidades locais e uso de trabalho escravo na Amazônia".

Na Europa, o estudo se concentrou no sistema de compra, distribuição e
processamento da soja, e nas empresas envolvidas nesta cadeia.

AVANÇOS DA SOJA
O avanço da soja sobre a floresta amazônica, depois de ter tomado e
destruído praticamente todo o cerrado do Centroeste brasileiro, teve um
boom a partir de 2003, quando o mal da vaca louca na Europa multiplicou
a demanda pelo grão para alimentação animal. Campeão nacional de
produção de soja, o Mato Grosso, depois das áreas de cerrado, pôs abaixo
grande parte da floresta amazônica do seu território, tornando-se também
o campeão de desmatamento e queimadas (48% do total) em 2003.

Outro ponto focal do avanço da soja é o entorno das rodovias que
permitem o escoamento da produção, como a BR 163, que liga Cuiabá, no
MT, a Santarém, no PA, e que deve ser completamente asfaltada num futuro
próximo, segundo promessas do Governo Federal.

"Oitenta e cinco por cento de todo o desmatamento ocorre nos 50
quilômetros de cada lado das rodovias. Nos últimos anos, a produção de
soja ao longo da parte pavimentada da BR-163 saltou de 2,4 mil hectares
em 2002 para mais de 44 mil hectares em 2005 - um crescimento de quase
20 vezes em três anos. Os grandes desmatamentos terminam junto com o
asfaltamento da estrada, ao sul da divisa com o estado do Pará. Tanto a
Cargill quanto a Bunge têm comprado soja de fazendas localizadas na área
de influência da BR-163. Pior: Cargill, ADM e Bunge são parceiras no
financiamento do projeto de US$ 175 milhões para pavimentar o restante
da estrada, acelerando o acesso ao novo porto graneleiro construído
ilegalmente pela Cargill em Santarém", afirma o relatório do Greenpeace.

Também de acordo com o estudo da ONG, "uma segunda rodovia da soja,
construída ilegalmente, se estende por 120 quilômetros, saindo da cidade
de Feliz Natal, no Mato Grosso, até terminar de forma abrupta na
fronteira oeste do Parque Indígena do Xingu. Tanto a Cargill quanto a
Bunge construíram silos com capacidade para armazenar 60 toneladas de
grãos nesta 'estrada para lugar nenhum'. Além disso, oferecem crédito e
mercado garantido para qualquer fazenda já desmatada na região.Nos dois
últimos anos, mais de 40 mil hectares de soja foram produzidos perto
desta estrada e o Greenpeace descobriu outros 99,2 mil hectares para
venda na internet. Documentos mostram que tanto a Cargill quanto a Bunge
estão comprando soja destas novas áreas. Análise das imagens de satélite
mostram que os impactos da rodovia da soja devem se estender por mais de
1 milhão de hectares de florestas da região. Este número contabiliza
apenas os impactos diretos do desmatamento. Os impactos indiretos
produzidos por grandes quantidades de produtos químicos e pelo
crescimento populacional devem ser ainda maiores".

PASSIVO SOCIAL
Paralelamente ao estudo, o Greenpeace também realizou um documentário
focado no impacto social da expansão da soja, principalmente na região
Sul do Pará, onde, após a construção ilegal do porto graneleiro da
Cargill em Santarém, e a promessa de asfaltamento da BR 163, o assédio
de sojicultores sobre as comunidades locais, tradicionais e indígenas
tem levado a recordes de conflitos de terra e assassinatos de
trabalhadores rurais.

Na maioria dos casos, mostra o documentário, ocorre a expulsão -
consentida ou violenta - dos pequenos agricultores de suas terras,
incorporadas às fazendas de soja. Ao venderem seus sítios, com os
recursos da transação os agricultores passam a viver nas periferias dos
centros urbanos, como Santarém, aprofundando rapidamente o processo de
favelização destas áreas. Mas também são cada vez mais comuns os ataques
às famílias que se negam a vender, com ameaças de morte e destruição das
casas.

No estudo, outro exemplo do passivo social da sojicultur apontado pelo
Greenpeace são casos como o da Fazenda Membeca, no Mato Grosso, que,
desde 2003, "tem promovido o desmatamento ilegal de mais de 8 mil
hectares de florestas da Terra Indígena Manoki, e continua a desmatar
novas áreas para expandir sua plantação de soja. Tanto a Cargill quanto
a Bunge instalaram silos em Brasnorte e têm comprado soja da Fazenda
Membeca".

Fruto de uma parceria com a ONG Repórter Brasil, especializada na
temática do trabalho escravo no país, o estudo do Greenpeace relata
também os casos das fazendas Roncador, onde foram libertado, entre 1998
e 2004, 215 trabalhadores escravos, Vale do Rio Verde, onde os agentes
federais encontraram 263 trabalhadores escravos em junho de 2005, Vó
Gercy e Tupy Barão, todas no MT. Segundo as duas ONGs, as multinacionais
Cargill e ADM continuaram comprando a produção destas fazendas mesmo
depois do indiciamento por prática de trabalho escravo.

"COMENDO A AMAZÔNIA"
Ao mesmo tempo em que divulgou o relatório, chamado de "Comendo a
Amazônia (eating up the Amazon)", em vários países europeus e nos EUA, o
Greenpeace lançou uma campanha na Europa que visa constranger as
empresas que compram a soja da região, bem como a população que consome
alimentos derivados. Segundo a ONG, isto não seria complicado, já que a
rota da exportação é basicamente Santarém-Holanda, de onde ocorre a
distribuição para o resto do continente.

A campanha exige que as empresas envolvidas no comércio de alimentos e
ração animal devem garantir que não estão usando soja da Amazônia, e que
grandes traders, incluindo a Cargill, ADM e Bunge, parem de comprar soja
produzida na Amazônia e assinem o Pacto Nacional para a Erradicação do
Trabalho Escravo. Também demanda que os bancos deixem de financiar
empresas envolvidas no comércio de soja da Amazônia, e que os governos
europeus apóiem as políticas públicas brasileiras de implementação de
unidades de conservação na região.

Em relação aos consumidores, o Greenpeace investiu com sua conhecida
criatividade contra a rede McDonald's, cujos produtos de frango,
principalmente na Inglaterra, são produzidos a partir da avicultura da
empresa Sun Valley, concessionária da Cargill. No país, segundo a ONG,
dezenas de frangos de dois metros de altura invadiram várias lanchonetes
da rede e se acorrentaram às cadeiras. Na Alemanha, ativistas vestidos
de Ronald McDonald's segurando motosserras, protestaram nas lojas e na
frente da sede européia do departamento de assuntos ambientais do
McDonald's.

"O McDonald's está estimulando um comércio que está destruindo a
Amazônia. A Floresta esta sendo derrubada para o plantio de soja que
alimenta os animais da Europa. Toda vez que você dá uma mordida num
Chicken McNugget, você pode estar mordendo um pedaço da Amazônia",
afirmou Pat Vendetti, coordenador do Greenpeace em Londres.

#73812

http://pt.indymedia.org/ler.php?numero=73812&cidade=1
<http://pt.indymedia.org/ler.php?numero=73812&cidade=1>
 
Greenpeace intercepta navio com soja brasileira em Amsterdão
Amsterdão,

O Greenpeace atrasou hoje o atracamento de um navio no porto de
Amsterdã, na Holanda. Para a organização, ele estava carregando soja
cultivada em áreas ilegais e desmatadas da Amazônia para restaurantes
europeus de comidas rápidas. Uma porta-voz do grupo de ambientalistas
disse que a polícia deteve cinco ativistas. A operação faz parte da
campanha lançada contra a Cargill Inc. (CRG.XX). O Greenpeace alega que
a companhia é abastecida com soja de campos ilegais na Amazônia. A rede
McDonald's Corp (MCD) e a Yum! Brands Inc.'s (YUM) KFC também compram a
soja como ração para os frangos usados em seus produtos.

http://www.estadao.com.br/agronegocios/noticias/2006/abr/07/53.htm