Greenpeace e Amigos da Terra acusam Comissão Europeia de duplicidade de critérios

BiohazardOs ambientalistas da Greenpeace e da Friends of the Earth (Amigos da Terra) acusaram a Comissão Europeia de duplicidade de critérios, ao aprovar o cultivo de transgénicos apesar das dúvidas sobre os efeitos na saúde e no ambiente.

A organização Friends of the Earth (FoE) teve acesso a documentos que a Comissão Europeia (CE) enviou à Organização Mundial do Comércio (OMC) a propósito da moratória aos transgénicos imposta por alguns países europeus, dando conta da "incerteza" e "falta de conhecimento total" sobre alguns assuntos.

"Contudo, a Comissão esconde normalmente essa incerteza do público, apresentando as suas decisões relativas a culturas e alimentos geneticamente modificados como certezas baseadas no conhecimento científico", denunciam as organizações ambientalistas em comunicado.

A FoE cita um relatório que refere que "não existe maneira de ter a certeza de que a introdução de organismos geneticamente modificados não tenha qualquer efeito na saúde humana".

Quanto ao cultivo de OGM, a Comissão Europeia defendeu que as culturas resistentes aos insectos (as únicas que estão a ser cultivadas na União Europeia) não devem ser plantadas antes de serem conhecidos todos os efeitos sobre o solo.

A FoE salienta também as discordâncias entre a Comissão e a Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (EFSA, na sigla em inglês).

"Num caso, a Comissão criticou a EFSA por não requerer mais investigações, depois de ter rejeitado provas científicas que mostravam que um determinado OGM tinha efeitos negativos nas minhocas", refere o grupo.

A FoE lembra que, ao mesmo tempo que enviava estes documentos à OMC, sublinhando as preocupações com a segurança dos OGM, a Comissão exigiu aos Estados membros que votassem propostas para levantar a interdição de transgénicos em cinco países europeus e autorizou a comercialização de 31 variedades de milho transgénico.

"Esta duplicidade da Comissão Europeia demonstra claramente que a saúde pública e a protecção do ambiente estão comprometidas por uma instituição mais interessada em promover o comércio e interesses económicos, a qualquer custo", criticou Adrian Bebb, responsável da Campanha OGM da FoE.

As duas organizações pediram a suspensão da utilização e comercialização de alimentos e sementes OGM até serem resolvidas as questões de segurança.

Fonte: Publico.pt