A Educação Ambiental - O problema dos problemas!
http://www.ideiasambientais.com.pt/educacao_ambiental2.html Vivemos num mundo repleto de problemas. Por si só isso não é propriamente um problema, sobretudo se consideramos o manancial de soluções que nos são apresentadas e vigorosamente defendidas diariamente na televisão, nos jornais, nos out-doors. Vivemos num mundo repleto de problemas. Por si só isso não é um problema, bem pelo contrário, se consideramos o manancial de gente que se farta de ganhar fortunas com produtos e formulas que nos são apresentadas como a solução milagrosa para quase todos os pequenos e grandes dramas do nosso dia-a-dia, seja aquela verruga que nos surgiu no outro dia ou a fome em África. Na verdade é bem provável que a verruga seja um drama bem maior. Não conheço nenhum estudo efectuado a esse nível (é pena) mas é bem provável que se gaste muito mais dinheiro em operações plásticas e de medicina estética afins no mundo do Jet Set do que países inteiros de África em cuidados básicos e essenciais de saúde. Na base da meritocracia neoliberal isso é perfeitamente aceitável e legítimo: é mais importante o direito que tenho aos meus luxos do que o direito que outros possam ter ao “luxo” de viver. Nada de novo, são os sinais dos tempos; dos novos tempos da velha globalização, repleta de obscenos paradoxos. Só para dar outro exemplo, fazem-se mais e mais campos de golfe, e resorts turísticos de luxo, ao mesmo tempo que o problema da seca é cada vez mais grave e a crise económica se agudiza. Sempre tivemos uma certa tendência para estes parodoxos, mas talvez não exista maior paradoxo do que o de os aceitarmos com plena conivência, como estado natural e intrínseco das coisas, como fatalidade, como coisas “normais” em relação às quais nada podemos fazer.
Pois bem, peguemos mais uma vez na questão da “saúde” (ou falta dela). Estamos habituados, ao menor sinal de vírus, a ingerir doses industriais de antibióticos e afins. Na realidade, a profusão de medicamentos, alguns deles autênticas drogas com impactos brutais ao nível da saúde, é verdadeiramente incalculável. Esse é um dos meus paradoxos de “estimação” preferidos: não somos apenas a geração do “fast-food”, somos a geração do “fast-tudo-e-mais-alguma-coisa”. Como bons filhos da sociedade de consumo, todas as soluções têm de ser imediatas e, de preferência, susceptíveis de serem “tomadas” como um pastilha de qualquer coisa. Pouco nos importa de quê, pouco nos importa o sentido do que é “natural” ou não.
A panóplia de pastilhas é, também ela, infinita. E vão desde as simples pastilhas propriamente ditas até controlos remotos de televisão ou consolas de jogos. Umas mais indicadas para sintomas fisiológicos e outras mais vocacionadas para sintomas do espírito e sociais. Os nossos sintomas são extremamente perigosos porque, mais do que nos dizerem que algo estará errado, são susceptíveis de nos dizer, com alguma precisão, o que está errado em concreto. Mas se estivermos bem medicados, livrando-nos de tão incongruentes sintomas, poderemos viver alegremente e partindo sempre do pressuposto de que não existem grandes problemas, sobretudo ilibando-nos desse tão pesado exercício que seria o de nos apontar, a nós próprios, como o principal motivo de alguns deles. De o nosso estilo de vida consumista ser uma das principais razões da destruição de habitats naturais em todo o planeta e consumo exacerbado de recursos. A nossa indiferença ser um dos principais motivos na agudização das discrepâncias sociais.
A nossa falta de atenção pela nossas próprias características físicas e psicológicas ser um dos principais motivos dos nossos problemas de saúde e emocionais.
Vem isto a propósito de quê? Isto vem a propósito, ou despropósito (tanto faz) da Educação Ambiental. Ou seja, de tudo.
Normalmente quando se pensa em Educação Ambiental pensa-se numa série de conhecimentos e pedagogia à qual todos reconhecemos alguns méritos e importância. Mas a distância que vai daí até ao nosso próprio estilo de vida é, numa grande parte dos casos, quase tão grande como a que vai daquelas sapatilhas ou camisola de marca nas montras dos nossos shoppings, repletos de publicidade e “glamour”, até à fábrica onde elas foram feitas, no outro lado do mundo.
Ao mesmo tempo, o Ambiente é visto como um “tópico” no qual todos reconhecemos alguns méritos e importância mas algo marginal no contexto das nossas prioridades quotidianas.
Pois bem, talvez o maior valor que a Educação Ambiental nos possa transmitir seja o de que a generalidade dos problemas e dilemas que vivemos actualmente surge, precisamente, das deficiências que temos ao nível da compreensão e consciência ambiental. Das dificuldades que temos em analisar e avaliar de forma crítica, ou sequer de ter tempo para isso, as diversas circunstâncias e aspectos do nosso próprio ambiente natural, social e cultural.
Respirar é essencial mas pouco ou nada sabemos, ou pensamos, sobre o ar que respirámos. Se é bom, se é mau, e porque é bom ou mau. A água é essencial mas pouco ou nada sabemos, ou pensamos, da água que constitui cerca 70% do nosso organismo. Alimentarmos-nos é essencial mas pouco ou nada sabemos, ou pensamos, dos alimentos que se nos apresentam já super embalados nas prateleiras dos hipermercados, apesar de eles se tornarem na nossa própria matéria e de uma parte tão importante da nossa vitalidade a eles estar ligado. Socializarmos é essencial mas sabemos muito pouco da vida de biliões de outros seres no planeta, ou o seu destino é para nós já como acessório. Socializarmos é essencial mas só o conseguimos fazer, cada vez mais, por intermédio de bytes e magabytes ou ondas de comunicações celulares. A Educação Ambiental é, antes de tudo mais, pelo menos na minha opinião, um exercício crítico de colocarmos a nós próprios essas questões primordiais: quem somos, de onde vimos e para onde vamos. A Educação Ambiental é algo tão simples como pensar no que somos, quer individualmente quer socialmente (na nossa sociedade global) e daí existe um sem número de outras questões inerentes e que, se colocadas, nos podem ajudar a reflectir muito melhor sobre nós próprios e, consequentemente, ajudar-nos, se calhar, a perceber qual é a origem de muitos dos problemas cujos sintomas continuamos a “alienar” de todas as formas e feitios. No fundo é compreendermos a nossa realidade intrínseca e, ao mesmo tempo, universal. De olharmos, sentirmos, cheirarmos o mundo e compreender o porquê de todos os sentimentos que isso nos causa, do odor das coisas, da fisionomia das montanhas e das cidades, da essência das sociedades. Somos fruto do nosso ambiente e o nosso ambiente é fruto de nós, Mãe e filho.
Nós, que fazemos parte de uma sociedade essencialmente urbana, pós-moderna, industrializada e tecnológica estamos habituados a conceber à partida (e geralmente à chegada) que a natureza e o ambiente são os espaços naturais(1) que de forma mais ou menos esporádica temos a oportunidade de conhecer em visitas quase museológicas, arredadas que estão as grandes áreas verdadeiramente naturais da generalidade dos grandes centros urbanos, a esses mesmos espaços.
A Natureza e o Ambiente têm, na verdade, um sentido muito mais amplo e prendem-se praticamente com tudo o que somos e fazemos. A Educação Ambiental é não só irmos a um parque natural aprender algo sobre espécies animais nativas mas, antes mesmo disso, observarmos de forma “crítica” e profunda o habitat em que vivemos e como vivemos nele e, fruto dessa observação, provavelmente chegarmos à conclusão do imenso trabalho que temos de fazer para o tornar mais ecologica e humanamente equilibrado e com menor desgaste\impacto sobre a Natureza “selvagem” que está a ser destruída a uma velocidade vertiginosa.
A Educação Ambiental é também desmistificar conceitos pré-concebidos e padrões “pré-formatados” de pensamento e ir mais além, tentando escutar a linguagem da Natureza.
Enfrentamos uma crise ecológica (no sentido mais amplo que o termo pode adquirir) de proporções que podem vir a revelar-se catastróficas mas, ainda assim, mais do que nos ser possível reflectir e apreender em toda a sua amplitude as causas e nuances, o que nos apresentam são soluções mágicas propagandeadas por tecnocratas, cientistas ou políticos, marketing em toda a sua plenitude. O homem e mulher comuns deixaram de ter legitimidade ou capacidade para agir (quanto muito podem esporadicamente eleger os que supostamente têm “capacidade e legitimidade de o fazer) restando-lhes contentarem-se com o papel de consumidores mais ou menos passivos (que não no simples acto de comprar, comprar e mais comprar) e mais ou menos (muito mais do que menos) acríticos.
O principal problema no mundo é talvez a forma como olhámos para os problemas do mundo e subestimar-mos a susceptibilidade que à nossa própria escala temos de os resolver. Algo que começa em gestos tão simples mas que, ao mesmo tempo, implicam um processo de aprendizagem tão intenso como evitar criá-los e, ao invés, criar modelos e estilos de vida ecologicamente e socialmente responsáveis bem como conscientes. E a Educação Ambiental é precisamente o processo primordial através do qual se concebem e projectam esses estilos de vida, sonhos, valores e Paz. Paz com nós próprios, com os outros, com o mundo. Liberdade, igualdade e fraternidade. Princípios tão nobres e “aparentemente” simples mas que ainda faltam (e de que maneira) cumprir na nossa sociedade comteporânea.
A Educação Ambiental começa quando uma mulher ou um homem sonham com um mundo diferente e escutam a Natureza no sentido de aprender como lançar as sementes para que ele amanhã possa florir.
(1) suponhamos que por “naturais” designámos habitates ainda sem uma intervenção e modificação humana muito intensa.
(2) Referência Bibliográfica: Ecologia Profunda – Dar Prioridade à Natureza na Nossa Vida, Bill Devall e George Sessions, (Águas Santas: Edições Sempre em Pé, 2004)
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Ecologia Profunda – Dar Prioridade à Natureza na Nossa Vida, Bill Devall e George Sessions, (Águas Santas: Edições Sempre em Pé, 2004)
Autor do artigo : Pedro Jorge Pereira
Fotografias: Equipa do Ideias Ambientais
Data: 16/05/06
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Comentários
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