
GAIA apela ao boicote de embalagens descartáveis de azeite

A partir de hoje, os tradicionais galheteiros vão ser proibidos nos estabelecimentos de restauração em detrimento de galheteiros invioláveis e descartáveis. Na opinião do GAIA, esta medida constitui um claro incentivo ao desperdício e vai contra uma política ambiental de redução de resíduos.
Por outro lado, os objectivos que a Portaria nº. 24/2005 de 11 de Janeiro se propõe a alcançar, no que se refere ao controlo de qualidade e origem do azeite, não são garantidos por esta medida. Isto porque:
as embalagens de azeite são completamente omissas quanto à origem do azeite e a lei não as obriga a isso. Desta maneira, o consumidor não poderá conhecer a origem e qualidade do azeite mesmo com as embalagens descartáveis de azeite.
mesmo o azeite com Denominação de Origem Protegida ou outro tipo de rotulagem, por livre iniciativa do produtor, é geralmente omisso quanto à qualidade (ou qualidades) da azeitona utilizada.
Além disso, a medida é prejudicial aos consumidores e ao sector da restauração, uma vez que o preço por litro do azeite passa, por força desta, a ser absolutamente exorbitante. Só os grandes produtores de azeite vão poder beneficiar desta medida, tirando partido da sua maior capacidade de adaptação a novas formas de embalamento que os pequenos produtores ou os produtores tradicionais não possuem.
Para o GAIA, a solução passa por uma maior fiscalização dos estabelecimentos de restauração, onde há muito mais questões a serem controladas para garantir a segurança e qualidade alimentar aos consumidores. Por outro lado, continua a haver incumprimento da legislação que proibe o serviço de embalagens de bebida de plástico e metal à mesa dos restaurantes.
No âmbito da campanha do Eco-consumidor, apelamos ao boicote das embalagens descartáveis de azeite por parte das entidades de restauração e dos consumidores, a favor do uso do galheteiro tradicional.