
Campanha em defesa dos transportes públicos
JANTAR | APRESENTAÇÃO | CONVERSA
4a feira,11 fev, 20h, no GAIA
Transportes mais caros ano após ano. Roubo dos passes sociais. Repressão a quem não pode pagar bilhete. Redução da oferta. Privatizações a bater à porta. Ruas repletas de carros.
O acesso à cidade tornado um luxo para quem o pode pagar.
Não desculpamos os incómodos causados!
E se nós, utentes dos transportes coletivos de Lisboa, nos organizássemos para reclamar o que é nosso, para travar o próximo aumento, a próxima privatização? E se tomássemos a palavra, para dizer que mobilidade queremos na nossa cidade? E se lutássemos por um serviço público de transportes que promova a justiça social e ecológica?
Vimos o Movimento Passe Livre despoletar no Brasil as maiores mobilizações populares dos últimos 20 anos e travar o aumento das tarifas.
No próximo dia 11, convidamos todas as pessoas e colectivos para a apresentação desta campanha, para conversarmos sobre a mobilidade em Lisboa e sobre como lutar, aqui e agora, pelos transportes públicos que queremos amanhã!
4a feira,11 fev, 20h no GAIA
Rua da Regueira, 40, Alfama (junto ao Museu do Fado. metro Sta Apolónia)
http://naodesculpamos.tumblr.com/
naodesculpamos [at] riseup [dot] net
Manifesto:
A cidade só existe para quem se pode movimentar nela. Se o transporte público é o meio que nos permite aceder a quase todos os direitos humanos – alimentação, saúde, educação –, quando nos roubam os transportes públicos, roubam-nos o acesso aos bens e serviços necessários às nossas vidas.
De nós, os e as 99%, esperam que sejamos cada vez mais flexíveis, em termos de direitos laborais, mas até mais literalmente: viajar de país em país em busca de um emprego, correr entre casa e trabalho, produzir mais e mais – apenas para sermos privados/as de mais e mais.
Numa cidade desenhada para a acumulação e centralização dos lucros, tudo o resto são questões secundárias: o acesso à cidade passa a ser um luxo; a classe trabalhadora é corrida até à periferia (cada vez mais distante dos locais de trabalho, ensino, cultura, lazer ou decisão política); os impactes ambientais tornam-se irracionalmente grandes; os transportes são privatizados.
Acreditamos que uma sociedade é possível para além desta prisão a céu aberto, na qual temos de procurar um trabalho para sermos explorados/as e ainda pagar uma fortuna para lá chegar.
Acreditamos numa outra forma de organizar a cidade: priorizar os meios que melhoram a mobilidade, garantindo maior equidade social, menor impacto ambiental e menor custo económico. Os meios de transporte público e não motorizados contribuem directamente para uma cidade mais sustentável e mais justa socialmente.
Somos um movimento autónomo, horizontal e apartidário de habitantes da cidade de Lisboa que luta pelos transportes públicos e pela mobilidade como um direito e não como um privilégio.
Queremos:
*Redução imediata das tarifas e devolução do passe de estudante e dos passes sociais. Ninguém pode ser forçado/a a escolher entre comprar comida ou comprar o passe.
*Devolução das carreiras cortadas e ampliação do transporte público em horários e a lugares onde não chega ou é insuficiente. Ninguém deve ser condenado/a a passar horas do seu dia em deslocações para o trabalho, nem a ficar sem forma de regressar a casa a partir da meia noite.
*Transportes totalmente públicos – travão a qualquer privatização. Um bem comum não se pode tornar num negócio privado.
*Dinheiro público para os tranportes públicos. Os 8 mil milhões que o estado já gastou para salvar BPN e BES são superiores a toda a dívida do sector dos transportes.
*Transparência económica e empresas de transportes público fora dos mercados financeiros. Não toleramos que o dinheiro que desembolsamos pelos passes e bilhetes continue a servir as fortunas dos administradores, operações financeiras especulativas e dívidas impagáveis.
*Fim aos controles racistas e discriminatórios, à perseguição e criminalização de quem já não pode pagar bilhete. Os verdadeiros responsáveis pela degradação dos transportes públicos são quem tem mais poder, não quem tem menos.
*Solidariedade entre as/os trabalhadoras/es e as/os utentes dos transportes públicos. Solidariedade de parte a parte, nas acções de luta dos trabalhadores, como a greve, e nas acções de luta dos utentes, como o boicote ao pagamento.
*Mobilizar-nos e organizar-nos para participar na gestão deste bem comum. Recuperar o nosso poder nas decisões que afectam os nossos transportes e as nossas vidas.
*Fim aos despedimentos e à precarização dos postos de trabalho. A luta dos trabalhadores dos transportes públicos é também a nossa.
*Promoção de transportes públicos acessíveis a toda a gente como arma contra as alterações climáticas.
Apelamos a todo o tipo de acções, nomeadamente de desobediência civil, no sentido de concretizar estas reivindicações e defender o transporte público.
Não pedimos desculpa pelos incómodos causados.