
Dia 14 de Janeiro | Sábado às 13h00 | Almoço na Mó de Vida do Pragal | Caril de tofú e crumble de maçã | Reservas obrigatórias até ao dia 12 | Preço por pessoa 5,00 euros incluindo vinho, pão, sobremesa e azeitonas | Projecção do documentário “o pesadelo de Darwin” e debate
No próximo Sábado, 14 de Janeiro, às 13h00, o GAIA organiza um almoço vegetariano na Cooperativa de Comércio Justo Mó de Vida. A ementa conta com caril de tofu como prato principal e crumble de maçã como sobremesa. Todos os ingredientes serão vegan.
O preço da refeição é de 5 € por pessoa, incluindo vinho, pão, sobremesa e azeitonas, sendo que os lucros irão ser distribuídos pela Mó de Vida e pelo GAIA. Após a refeição terá lugar a projecção do documentário "O Pesadelo de Darwin", seguido de um debate motivado pelo próprio filme sobre os temas da dívida ecológica, soberania alimentar e globalização.
As inscrições devem ser enviadas para modevida [at] modevida [dot] com. A Cooperativa Mó de Vida do Pragal fica situada na Calçadinha da Horta, 19 (Telef.: 212720641), na zona do Pragal Velho.
O Pesadelo de Darwin
Legendado em castelhano
«O Pesadelo de Darwin» é um documentário realizado pelo austríaco Hubert Sauper em 1996 que foi premiado numa série de festivais.
O cineasta dispôs-se a filmar a vida dos habitantes das margens do Lago Victoria, na Tanzânia, considerado o berço da Humanidade, que é hoje palco do pior pesadelo da globalização.
A miséria, a fome e a sida são males comuns para quem vive nesta região do mundo, mas a par desta realidade, existe outra. A enorme riqueza piscícola desse mesmo lago é explorada pela mão-de-obra local, mal paga, ao serviço de empresas estrangeiras que exportam filetes de peixe, sobretudo para a Europa. Para a alimentação dos habitantes locais restam as cabeças de peixe e pouco mais.
Esta lucrativa indústria nasceu depois de um predador voraz, a perca do Nilo, ter sido introduzido no maior lago tropical do mundo, nos anos 60, como experiência científica.
Como resultado, praticamente todas as espécies autóctones de peixes foram dizimadas, e a partir da catástrofe ecológica nasceu um negócio «chorudo», com base na exportação da carne branca do enorme peixe para todo o hemisfério norte. Hubert Sauper estende ainda a sua crítica ao serviço prestado pelos aviões no transporte de armas que alimentam os conflitos, frequentes nos países mais próximos, alimentando um dos males que mais tem minado o desenvolvimento do continente africano. Pescadores, políticos, pilotos russos, prostitutas, industriais e comissários europeus são «actores» de um drama que ultrapassa as suas fronteiras geográficas para se inscrever nos territórios da humanidade.
Conforme revela o realizador nas notas de intenções do filme, a ideia para este filme nasceu durante a investigação para outro documentário - «Kisangani Diary - Loin du Rwanda», sobre os refugiados da revolução no Congo. «Foi em 1997 que fui testemunha pela primeira vez do tráfico destes enormes aviões. Enquanto um avião chegava da América com comida para os refugiados dos campos da ONU, um segundo avião descolava para a União Europeia com 50 toneladas de peixe a bordo, revela. «O encontro e os laços de amizade que estabeleci com alguns dos elementos da equipa de um dos aviões de carga russos permitiram-me descobrir o impensável. Os aviões não traziam só ajuda humanitária dos países desenvolvidos, mas também traziam armas. Os aviões traziam a comida que os alimentava durante o dia e as armas que os matavam à noite», detalha o cineasta. «Conhecer a cronologia e os rostos de uma realidade tão cínica tornou-se o objectivo de O Pesadelo de Darwin», conclui.
Colocando o «dedo na ferida», Sauper lança ainda uma questão: «Porque será que sempre que um recurso natural é descoberto, os habitantes desse local morrem na miséria, os filhos tornam-se soldados e as filhas criadas ou prostitutas»?
Para o autor é claro que «depois de centenas de anos de escravatura e colonização em África, os efeitos da globalização estão a infligir humilhações mortais aos habitantes». Por isso avisa: «A atitude arrogante dos países ricos no que diz respeito ao Terceiro Mundo cria perigos futuros para todos os povos».
Mesmo sendo trabalhado como documentário, o filme tem bastante ritmo, o que permite que a narrativa visual se acompanhe sem grande esforço, mesmo que, no final, nos deixe com um sentimento de tristeza por percebermos o longo caminho que falta percorrer para vivermos num mundo mais justo.
«O Pesadelo de Darwin» ganhou o Prémio de Melhor Documentário nos Prémios Europeus do Cinema e foi ainda premiado nos festivais de Veneza, Belfort, Copenhaga, Montréal, Paris, Chicago, Salónica, Oslo, México, Angers.