
O grupo de trabalho sobre OGM no fórum Civil G8, onde participaram activistas portugueses pertencentes à Plataforma Transgénicos Fora do Prato e ao GAIA, apresentou hoje ao Presidente Russo Vladimir Putin um apelo aos líderes do G8 sobre o cultivo de organismos geneticamente modificados (OGM). [declaração em anexo]
Para Gualter Barbas Baptista, coordenador da campanha contra os transgénicos do GAIA, este documento “reflecte as preocupações da sociedade civil sobre a contaminação genética que se verifica um pouco por todo o mundo, sem que haja um adequado controlo ou monitorização. Portugal, em particular, já tem cultivos comerciais de milho transgénico, mas não sabemos onde se situam, o que estão a contaminar e de que forma estão a prejudicar os agricultores que continuam a rejeitar os cultivos geneticamente modificados”.
Outra das preocupações do grupo de trabalho prende-se com a falta de estudos independentes na área da biotecnologia. Ana Rita Penitência afirma que “se estes estudos fossem feitos de forma independente, a informação sobre OGM chegaria muito mais clara e objectiva ao público, que teria muito mais hipótese de opção em relação ao consumo de alimentos transgénicos. Nenhum governo teria a coragem de aprovar leis de coexistência e permitir o cultivo de transgénicos se estes estudos viessem a revelar a contaminação que várias ONG já detectaram em alguns estudos que realizaram”.
Após a apresentação dos problemas pelo coordenador da campanha contra os OGM da Greenpeace, Geert Ritsema, o Presidente Russo reagiu com agrado, dando um sinal claro de apoio a uma das principais reivindicações dos ecologistas – a de que os países e regiões devem ter o direito a decidir sobre o cultivo de transgénicos. “Estou feliz por discutir este tema convosco. A Rússia irá a manter a sua determinação de livre escolha no que respeita à questão dos OGM”, afirmou Vladimir Putin.
O tema da segurança energética foi estruturado em 3 tópicos: alterações climáticas, sector do petróleo e do gás e energia nuclear. O grupo de trabalho, o mais numeroso do Fórum, com mais de 100 participantes de dezenas de países, recomendou que a temperatura seja mantida abaixo do limite de 2 ºC acima dos níveis pré-industriais, nível para o qual será necessária uma redução de pelo menos 50% das emissões de gases com efeito de estufa (comparado aos níveis de 1990) até 2050.
O grupo de trabalho sobre segurança energética marcou ainda uma oposição clara à energia nuclear, exigindo, agora que se comemora o 20º aniversário de Chernobyl, o fim da construção de novos reactores nucleares. Durante a resposta do presidente Putin, alguns activistas russos, colocaram-se de pé nas cadeiras, exibindo camisolas a dizer “Não ao Nuclear” em russo.
Luis Ayres, que participou no grupo de segurança energética defende que “a opção do nuclear é hoje em dia uma não solução, por todos os riscos que comporta e por bloquear o estímulo às energias renováveis. Num momento em que a maioria dos países europeus começa a fasear o encerramento das suas centrais nucleares, alguns empresários vêm apresentar opções absurdas para o nosso país”.
Outros grupos de trabalho no Civil G8 incluíram o HIV/SIDA, desenvolvimento global, xenofobia, educação, pobreza, comércio e dívida, entre outros.
Para mais informações contactar:
Mara Sé - 965190975
Gualter Barbas Baptista (em Moscovo) – 919090807
Round Table ‘GMO – One of the Challenges of the XXI century’
Appeal to G8 Leaders
Civil society representatives from 17 countries have gathered today in Moscow to discuss the issue of GMOs and reached the following conclusions, which we ask you to consider and address:
Wide-spread contamination by GMOs, unregulated and sometimes even unnoticed by governments, is negatively affecting biodiversity, including protected areas and centers of crops origin.
Genetic contamination by GMOs of traditional and organic crops is increasingly violating the right of farmers and consumers to choose crops and foods without GMOs. This genetic contamination is also negatively affecting farmer’s livelihoods.
There is a growing number of scientific studies that indicate that GM crops and GM foods are potentially dangerous for human health and the environment. However there is a lack of independent research on biotechnology.
There is a lack of democratic decision making and transparency related to commercialization of GMOs.
There is an unjustified and growing role of the WTO in the solution of issues related to food sovereignty and genetic safety.
We call on you:
To include the GMO issue into the agenda of the next G8 summit.
To ensure that consumers have the right to know if their food contains any GMOs by the adoption of mandatory labeling and traceability rules.
To take immediate measures at national and international level to ensure that GMOs are not contaminating neighboring fields, the food chain and the environment.
To ensure that the companies who produce GMOs will be held liable for any economic, environmental or health damage according to the polluter pays principle.
To make decision-making process on GMOs open for the public at national and international levels. Countries and regions should have the right to decide for themselves if they want to remain GMO free and should not be forced to accept GMOs against their will.
To make the safety assessment procedure for GMOs completely transparent and to ensure that no data relating to GMOs will be classified as “confidential business information”.
To ensure that conflicts between countries over GMOs are not subject to WTO dispute settlement but are resolved in international fora based on the principles laid down in the Biosafety Protocol.