
A polícia neo-zelandesa disse este domingo que vai reexaminar o processo da sabotagem ao navio da Greenpeace Rainbow Warrior, feita em 1985 por agentes franceses, após informações de que um irmão da candidata às presidenciais francesas Ségolène Royal terá colocado a bomba. Quinze anos depois do «dossier» ter sido fechado, o director da polícia criminal neo-zelandesa, Win van der Veldt, vai proceder a um novo exame do inquérito, disse hoje uma porta-voz da polícia.
Sem querer fazer mais comentários, a porta-voz sublinhou que é ainda cedo para dizer se o novo exame levará a uma reabertura formal do inquérito ou se será desencadeada qualquer outra acção.
A decisão da polícia neo-zelandesa segue-se à publicação, sexta-feira, no diário francês Le Parisien, de declarações de Antoine Royal, irmão mais novo de Ségolène Royal (candidata favorita da esquerda nas sondagens para as presidenciais francesas de 2007), segundo as quais o seu irmão Gérard lhe disse que foi ele a «colocar a bomba» que afundou o Rainbow Warrior.
«Na época, (Gérard) era tenente e agente da DGSE (direcção-geral de segurança externa) na Ásia. Ele foi chamado em 1985 para ir à Nova Zelândia, à baía de Auckland, para a sabotagem do Rainbow Warrior», disse Antoine Royal ao jornal.
«Mais tarde ele disse-me que tinha sido ele a pôr a bomba no navio da Greenpeace. Ele apanhou uma embarcação com uma segunda pessoa para se aproximar do navio», afirmou.
No naufrágio do navio, ocorrido na noite de 9 para 10 de Julho de 1985, morreu o fotógrafo da expedição, Fernando Pereira, holandês de origem portuguesa, atingido pela explosão de uma das duas minas colocadas pelos agentes franceses.
O navio preparava-se para uma acção de protesto contra os ensaios nucleares franceses no atol de Mururoa, na Polinésia.
O caso constituiu um dos maiores escândalos político-diplomáticos da primeira presidência de François Miterrand.
Fonte: PortugalDiário