Dia 10 de Novembro surgiram dois apelos ao mundo sobre a cada vez mais grave crise ecológica e social que o planeta e a sociedade enfrentam. O povo Masai pediu uma acção urgente dos países supostamente desenvolvidos, pela sua responsabilidade nas alterações climáticas. Noutros pontos do mundo, activistas relembram o assassinato do dirigente do Movimento pela Libertação do Povo Ogoni (MOSOP), o jornalista Ken Saro-Wiwa.
Ken Saro-Wiwa foi assassinado há 11 anos pelo corrupto regime nigeriano, por liderar o MOSOP numa marcha contra a destruição do ambiente e da subsistência do seu povo pelas operações de extracção e exploração petrolífera da multinacional no Delta do Níger. A Amnistia Internacional considera Saro-Wiwa, defensor da não-violência, um "prisioneiro de consciência". Um tribunal militar condena Saro-Wiwa por homicídio. Governos e organizações de todo o mundo acusam o tribunal de fraude, apelam à libertação do líder e ecologista e tentam levar a Shell a intervir. Sem êxito.
O mais chocante nestas notícia e na situação de povos como os Masai e os Ogoni (que não constituem casos isolados nem pontuais) é a situação de injustiça que ela representa.
Os povos que mantiveram o seu suposto estado de subdesenvolvimento são aqueles que mais vão sofrer. Por um lado, têm o azar da distribuição dos efeitos das alterações climáticas. Por outro possuem uma menor capacidade de adaptação a mudanças climáticas, resultado de uma maior pobreza e maior dependência/ligação com os recursos naturais.
Hoje ainda continuam a ser discutidos os perdões de supostas dívidas externas dos países menos desenvolvidos (a maioria delas já pagas várias vezes devido aos juros). No entanto, a verdadeira dívida é uma dívida ecológica, que nós devemos a esses países por séculos de colonialismo (que continuam através de um neocolonialismo essencialmente económico), que têm vindo a conduzir à expropriação e usurpação dos seus recursos naturais e à destrução do ambiente, para permitir o enriquecimento da "grandiosa" civilização ocidental.
E agora, como lhes podemos pagar? Algum dia iremos declarar voluntariamente o fim da era do petróleo antes que seja tarde demais? Quando vamos ouvir o grito de urgência dos Masai e do povo Ogoni e iniciar o rumo para uma sociedade ecologicamente e socialmente equilibrada?