
O Dia Mundial das Zonas Húmidas comemora-se, desde 1997, a 2 de Fevereiro. Esta data marca a importância da adopção da Convenção sobre as Zonas Húmidas, a 2 de Fevereiro de 1971, na cidade iraniana de Ramsar. Este ano, a comemoração do dia incide sobre o tema “Peixes para Amanhã”.
As Zonas Húmidas desempenham um papel regulador fundamental em termos dos ciclos hidrológicos e geoquímicos. Constituem regiões de elevada produtividade (produzem 50 vezes mais que áreas de pradaria e 8 vezes mais que um campo cultivado) e são de importância crucial para a desova. Além disso desempenham um papel fundamental no controlo de cheias e inundações e na estabilização da linha costeira.
Ao assinalar a data do Dia Mundial das Zonas Húmidas, a organização ecologista portuguesa GAIA e a Campanha “No et Mengis el Món” (“Não Comas o Mundo"), activa no âmbito espanhol, não podem deixar de lembrar o caso recente do contrato assinado entre o Governo Português e a multinacional de capital espanhol Pescanova, para apoiar a construção de uma grande exploração de aquacultura de pregado na praia de Mira. Se, em tempos, a indústria pesqueira se centrou, até ao limite da exaustão, na pesca de espécies em habitat natural, mais recentemente ela aposta claramente na aquacultura. Esta tendência tem vindo a exercer cada vez mais pressão sobre zonas costeiras e conduzido à deterioração de frágeis e importantes ecossistemas em zonas húmidas.